segunda-feira, 4 de outubro de 2010

sou mimada e não sei pq....

A verdade é essa: sou garota mimada, muito mimada. Não sei ouvir "não", não sei lidar com frustrações nem com perdas. Não sei perder, não sei perder o jogo, não sei perder pessoas. E por que sou assim? Não sei! Sempre ouvi muitos "nãos", desde criança. Nunca fui boa em esportes, então sempre perdi praticamente todos os jogos. Perdi todos meus amores, quase todos platônicos.
Devia ter me acostumado já. Talvez até me conformado. Ao menos já saber... que a vida não é boazinha comigo, nunca foi, não será.
E de tudo que não sei lidar, de todo desespero, toda confusão total, nada é pior do que perder pra sempre uma pessoa. Não é perder um amor, uma paixonite, um namorado, um marido, é simplesmente perder a pessoa, com tudo que ela é. É você saber que quando vc tiver saudade, qdo vc quiser rir junto, qdo vc quiser conversar, qdo vc quiser só ver, a pessoa não está aqui. Não está aqui, não está ali, não está lá... não está em nenhum lugar que vc possa procurar... sim, vc a perdeu pra sempre. Eu podia nunca ir visitá-lo, talvez nunca mais falar com ele, mas caso eu quisesse, eu sei que ele estaria lá, quase que à minha disposição. Mas agora não, se foi, se perdeu, e NUNCA (vc entende o que quer dizer NUNCA?) NUNCA mais vou estar com ele.
Não vou mais ser carregada pelo meu tio no colo, nem ele vai me dar banana escondido quando eu tiver de dieta...minha primeira grande perda! Nunca mais vou ficar na casa da minha vizinha quando minha mãe precisar sair, nem nunca mais ela ficará aqui tomando conta da gente, nem dará suas belas gargalhadas. Nunca mais vou deitar no colo da minha avó, nunca mais ela vai me acariciar os cabelos até eu dormir, nunca mais vamos ficar acordadas a madrugada inteira rindo juntas de qualquer piada, nunca mais ela vai acordar assustada quando eu falar sonhando. Nunca mais vou tomar suco e comer biscoitos na casa de uma amiga, nem ela vai me mostrar seus cachorros, nem vou sentar no colo dela, porque nunca mais ela virá aqui em casa. Nunca mais meu avô vai me mostrar orgulhoso a foto do meu batizado, nunca mais ele vai repetir as mesmas histórias, nunca mais ele vai dizer que tenho que casar logo pra algum namorado (se eu tiver mais algum), nunca mais ele vai me dizer a mesma idade, nunca mais vai ficar bravo por eu comentar que encontrei com ele na rodoviária. Nunca mais eu vou ver o Lu nos aniversários na casa da Mariana, nunca mais ele vai pedir pra eu agendar um sorvete nos meus "esquemas", nunca mais eu vou poder dizer a ele que isso passa, que já passou comigo, passaria com ele. Nunca mais eu vou jogar truco com o Marcelo, nunca mais ele vai dançar comigo e pisar no meu pé, nunca mais vai me convidar pro álbum de figurinhas do dcc, nunca mais vamos jogar rpg nem peteca. E agora? Nunca mais eu vou dar carona pra tio Djalma pra Itabira, nunca mais poderão perguntar quem levar a mala do Djalma, nunca mais vou poder zuar que swó faltam mais 5 brasileiros pra alcançar a gente, nunca mais ele vai me zuar quando o são paulo perder (de novo) pro galo, nunca mais vai me zuar quando o inter ganhar do grêmio, nunca mais vamos jogar truco, nunca mais vai sumir o dia todo no bar e dizer que tava na farmácia (tomando remédio), nunca mais vão reclamar que ele não chegou na hora do almoço, nunca mais vou perder dele na exposição, nunca mais vai num show dos Engenheiros com a camisa do Inter, nunca mais vai sofrer com o galo, nunca mais vai falar da "baixinha", nunca mais vai me perguntar pelo gaúcho, nunca mais vai ser chamado de rolha de poço, nem de tio butijão.
NUNCA? Nem quando eu tiver com muita muita saudade? Nunca mais vou ver nenhum deles? Nem falar que, mesmo que não saibam, fazem parte da minha vida de alguma forma? NUNCA é forte demais pra mim... se eu não suporto nem o "não", quanto mais o "nunca".

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